Trump confirma ‘ataque de grande escala’ à Venezuela e confirma captura de Nicolás Maduro

Trump confirma ‘ataque de grande escala’ à Venezuela e confirma captura de Nicolás Maduro

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou neste sábado que forças americanas realizaram um “ataque de grande escala” contra a Venezuela e capturaram o líder chavista, Nicolás Maduro, e a esposa dele, Cilia Flores, como o culminar da escalada militar americana contra o país sul-americano desde o início da campanha de pressão iniciada em Outubro de 2025.

Bases militares em Caracas e pelo menos outros três estados foram bombardeados, segundo fontes venezuelanas, sem que haja um balanço inicial de vítimas civis e militares. O republicano afirmou que Maduro e Cilia foram retirados do país, enquanto a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, antecipou que ambos serão julgados em território americano por denúncias que incluem narcoterrorismo. Mais detalhes serão apresentados em conferência de imprensa marcada para Mar-a-Lago, na Flórida.

“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e o seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi, juntamente com sua esposa, capturado e retirado do país. Esta operação foi realizada em conjunto com as forças de aplicação da lei americanas. Mais detalhes em breve. Haverá uma conferência de imprensa hoje, em Brasília], em Mar-a-Lago. Agradeço a sua atenção!”, escreveu Trump numa publicação no seu perfil na Truth Social.

Numa breve entrevista ao New York Times, minutos após a publicação da rede social, Trump comemorou o “muito bom planeamento” para a missão e as “tropas e pessoas excelentes” que estiveram na linha de frente, classificando como uma “operação brilhante”. Por telefone — numa chamada que durou 50 segundos, de acordo com a reportagem —, o presidente se negou a dizer se recebeu autorização do Congresso para agir, e disse que novos detalhes seriam divulgados apenas na conferência de imprensa.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos EUA sobrevoando Caracas durante a madrugada de sábado, enquanto múltiplas explosões iluminam o céu da capital venezuelana. Segundo relatos não confirmados, as aeronaves seriam helicópteros CH-47G Chinook, projectados para operações secretas, e teriam actuado durante ataques que, segundo o governo venezuelano, atingiram os estados Miranda, Aragua e La Guaira, além de Caracas.

Pelo menos sete explosões e ruídos semelhantes ao sobrevoo de aviões foram relatados por volta das 02h, em Caracas. De acordo com fontes locais ouvidas pelo GLOBO, alguns dos alvos seriam a base militar de La Carlota, da Força Aérea venezuelana, e o Forte Tiuna, maior complexo militar do país. Outro alvo do ataque foi o Quartel da Montanha, mausoléu onde está enterrado o ex-presidente Hugo Chávez.

Oficiais do Exército americano ouvidos pela emissora CBS News afirmaram que a captura de Maduro teria sido realizada por integrantes da Delta Force, principal unidade de missões especiais do Exército. A unidade esteve a frente de missões como a morte do ex-líder do Estado Islâmico Abu Bakr al-Baghdadi, em 2019.

O paradeiro de Maduro e Cilia não foi revelado pelas autoridades americanas inicialmente — o que fez a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, exigir uma prova de vida por parte de Washington. Em paralelo, interlocutores do governo americano afirmaram que o objectivo da captura do líder chavista seria levá-lo para julgamento em território americano.

“Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram indiciados no Distrito Sul de Nova York. Nicolás Maduro foi acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de armas automáticas e dispositivos de destruição, e conspiração para posse de armas automáticas e dispositivos de destruição contra os Estados Unidos. Em breve, eles enfrentarão toda a força da justiça americana em solo americano, em tribunais americanos”, afirmou a procuradora-geral dos EUA, numa publicação na rede social X, referindo-se ao casal como “supostos narcoterroristas”.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio — apontado como o principal defensor da actuação americana na América Latina —, limitou-se a republicar uma mensagem escrita nas redes sociais em Julho do ano passado, em que afirmava que Maduro não era o presidente legítimo da Venezuela e que o seu governo também não era legítimo. A sinalização foi apontada por observadores como um possível sinal para dirimir futuros questionamentos quanto a legalidade do ataque.

O senador republicano Mike Lee, de Utah, disse à rede americana CNN ter conversado com Rubio após o ataque. O secretário teria garantido ao parlamentar que o objectivo da missão era a captura de Maduro, que a acção cinética — bombardeio e emprego de meios militares — teria sido empregada para defender os agentes que realizavam a captura e que não estariam previstas novas acções militares contra Caracas.

— Essa acção provavelmente se enquadra na autoridade inerente do presidente, conforme o Artigo II da Constituição, para proteger o pessoal dos EUA de um ataque real ou iminente — afirmou Lee.

Pedidos de calma e mobilização

Em Caracas, as autoridades alternaram mensagens de condenação aos EUA, pedidos de calma e convocações à mobilização popular. Delcy, que classificou a acção americana como um “ataque brutal” e uma “agressão imperial”, anunciou a activação dos planos integrais de defesa, que segundo ela teriam sido ordenados por Maduro.

“Povo na rua, activação da milícia [Nacional Bolivariana] e de todos os planos de defesa integral da nação”, disse a vice-presidente.

Em declarações televisivas, o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, considerado um dos principais aliados de Maduro, pediu calma e instou o povo a confiar na liderança chavista.

“Que ninguém se desespere. Que ninguém facilite as coisas para o inimigo invasor”, disse Cabello, acrescentando, sem apresentar provas, que bombas atingiram prédios civis.

O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, também falou ao vivo na televisão, condenando os ataques dos EUA.

“Vítimas inocentes foram gravemente feridas e outras mortas por este ataque terrorista criminoso”, disse ele, repetindo os pedidos de prova de vida e para que as pessoas fossem às ruas “com calma e vigilância”.

‘Muitas explosões e tiros’

As explosões ocorrem depois Trump enviou uma frota de navios de guerra para o Caribe, mencionou a possibilidade de ataques em território venezuelano e afirmou que os dias do presidente Nicolás Maduro no poder estavam contados.

Segundo uma equipa da rede americana CNN, algumas áreas da capital venezuelana ficaram sem energia eléctrica. “Uma delas [explosões] foi tão forte que a minha janela tremeu depois”, escreveu a correspondente da CNN em Caracas, Osmary Hernandez.

Imagens não verificadas compartilhadas nas redes sociais mostram grandes incêndios com colunas de fumaça, embora sem elementos que permitam identificar a localização exacta das explosões, que parecem estar a ocorrer no sul e leste da cidade. Ainda não é possível verificar a sua autenticidade.

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