NO CORREDOR DA MORTE HÁ QUASE 40 ANOS: NORTE-AMERICANO É LIBERTADO APÓS ANÁLISE DE DNA

NO CORREDOR DA MORTE HÁ QUASE 40 ANOS: NORTE-AMERICANO É LIBERTADO APÓS ANÁLISE DE DNA

Douglas Stewart Carter, um norte-americano de 71 anos, foi libertado após quase quatro décadas no ‘corredor da morte’. O desfecho acontece depois uma análise de DNA e de testemunhas darem o dito pelo não dito.

O norte-americano de 71 anos foi condenado pelo homicídio da tia de um chefe da polícia, passou várias décadas no corredor da morte até ser libertado esta segunda-feira, depois de evidências de DNA, recentemente analisadas, confirmarem que não estava ligado ao crime.

Um juiz do Utah ordenou a libertação de Douglas Stewart Carter, esta segunda-feira, de acordo com a agência Associated Press, que adianta ainda que o homem terá de usar uma pulseira electrónica enquanto aguarda por um novo julgamento pelo homicídio de Eva Olesen, em 1985.

No corredor da morte há quase 40 anos, norte-americano é libertado após análise de DNA | Créditos / Rick Egan

O assassinato de Eva Olesen

Carter, natural de Chicago, vivia com a mãe no Utah quando Olesen foi morta a 27 de Fevereiro de 1985.

Segundo a AP, que cita documentos judiciais, o homem fugiu do Utah em Abril do mesmo ano por ser suspeito de participar num outro caso de agressão. Foi detido em Junho em Nashville, onde assinou a confissão da morte de Olesen durante um interrogatório.

O norte-americano foi condenado à morte após um julgamento no qual a defesa não apresentou qualquer testemunha.

Nenhuma prova física o ligava à cena do crime. No entanto, durante o julgamento inicial, o júri condenou Carter com base na sua confissão e no depoimento de duas testemunhas que afirmaram que o homem se tinha gabado de matar Eva Olesen. Várias décadas mais tarde, ambas as testemunhas deram o dito pelo não dito e voltaram atrás.

Em 1992, foi novamente condenado à sentença máxima dos EUA após um novo julgamento.

Anos mais tarde, Carter revelou ter sido obrigado a assinar uma confissão e garantiu estar inocente. Disse que assumiu, erradamente, a culpa do crime após ser repetidamente ameaçado pela polícia de Provo.

Ao longo dos anos, os tribunais do Utah rejeitaram inúmeros recursos de Carter.

O dito por não dito e a reabertura do caso
O caso sofreu uma reviravolta em 2011, quando as duas testemunhas do julgamento inicial foram localizadas no México.

O casal disse que foi obrigado a mentir em tribunal e que recebeu dinheiro da polícia. As testemunhas também confessaram que, na altura, foram ameaçadas pela polícia e procuradores de que o seu filho seria deportado caso não incriminassem Carter.

Após mais de uma década de disputas judiciais, o Supremo Tribunal do Utah ordenou em 2025 um novo julgamento, citando “múltiplos casos de má conduta” por parte da polícia e de um procurador.

No corredor da morte há quase 40 anos, norte-americano é libertado após análise de DNA | Créditos / Rick Egan

Na nova investigação, foi pedida uma análise de DNA às provas encontradas no local do crime. A análise, feita a 22 de Setembro, concluiu que o sangue encontrado numa maçaneta e o material genético recuperado do cabo da faca usada para esfaquear Eva Olesen não pertenciam a Carter.

Os advogados de defesa de Carter afirmam que testemunhas viram um homem a fugir da cena do crime e que um investigador ocultou provas que apontavam para outros suspeitos, como o marido da vítima, Orla Olesen.

A equipa de advogados alega que os procuradores estavam prestes a apresentar o caso contra o marido da vítima, quando um polícia de Provo pediu que não o fizessem para poder continuar a investigar. Logo depois, Carter foi identificado como suspeito.

A liberdade ao fim de quase 40 anos
Douglas Stewart Carter foi libertado na segunda-feira, quase 40 anos depois de ter sido preso. Na rua, era esperado pelo filho, Tyler Anger, e pelo advogado.

O homem vai ficar alojado num hotel de estadia prolongada perto do filho, que foi adotado por outra família quando era bebé e só soube da condenação anos mais tarde, e será acompanhado por um psicólogo.

“Se dependesse do estado do Utah, ele teria sido executado há 15 ou 20 anos, antes de descobrirmos a má conduta” , afirmou o advogado Neal Hamilton.

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