JÁ HÁ XINGUILAMENTO SOBRE O MERCADO DE 400 MIL DÓLARES NO UÍGE – OLAVO CASTIGO*
Mano Augusto Keita, agradeço o teu “esclarecimento”. Li com atenção. E confirmaste exactamente o que eu denunciei.
Vamos por partes, com respeito:
Sobre ser ou não da Administração:
O teu texto defende mais a Administração que o próprio Administrador. Se não és da Administração, foste muito bem informado por eles. O povo do Uíge sabe distinguir um especialista independente de um advogado de defesa da Administração.
Sobre ir pedir documentos na Administração:
Mano, você sabe que isso é uma piada. Há 3 anos que a sociedade civil do Uíge pede os contratos da Administração e nunca recebe. A Lei dos Contratos Públicos diz que contratos acima de 182 milhões têm que ir a concurso público no portal da contratação pública. Mostra-nos o concurso desta obra de 358 milhões. Está onde? Em que Diário da República? Se a placa na obra é “transparência básica”, então publica também o contrato.

Sobre os números que você mesmo trouxe e que nos condenam:
Você disse: 360 bancadas + 24 quiosques por 358.521.678,21 Kz.
Vamos fazer a conta que você pediu, memória de cálculo simples que até uma zungueira do Candombe entende: 358 milhões / 384 estruturas (360+24) = 933.000 Kz por cada bancada/quiosque.
Quase 1 milhão de Kwanzas por cada bancada de mercado aberto, sem ar condicionado, sem azulejo importado. No Uíge, com 1 milhão, levantamos uma casa de 2 quartos com chapa.
Isso não é estimativa “a olho”. É matemática.

Sobre os 50 milhões:
Eu não disse que deve custar 50 milhões. Eu disse que com 400 mil dólares (358 milhões) se faz uma escola de 12 salas com carteiras, quadro e casa de banho. E isso é verdade. Você que é especialista em finanças públicas, me diz: o que é mais prioritário na Ana Candande onde as crianças estudam debaixo de mangueira? Mais um mercado ou uma escola?
Construir mercado não é crime. Crime é construir um mercado de 360 bancadas a preços de subfaturacai

O meu convite final:
Já que és especialista, vamos fazer fiscalização séria como defendes, juntos:
O povo do Uíge não quer discurso bonito. Quer bancada que não alaga na chuva e dinheiro que não desaparece.
*Secretário Municipal da UNITA no Uíge




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