Conheça o jornalista que violou e matou três mulheres — e noticiou os seus próprios crimes

Conheça o jornalista que violou e matou três mulheres — e noticiou os seus próprios crimes

Serial killer Vlado Taneski, um jornalista da Macedónia, foi apanhado por causa dos seus próprios artigos e detido em 2008. Mas não chegou a ser julgado.

Durante anos, Vlado Taneski foi visto como um jornalista respeitado na pequena cidade de Kičevo, na Macedónia. Escrevia sobre assuntos locais, educação e questões municipais para os jornais Nova Makedonija e Utrinski Vesnik e nada, à vista de ninguém, fazia prever que viria a ser identificado pelas autoridades como o autor de uma série de homicídios brutais — que ele próprio cobriu.

Entre 2005 e 2008, pelo menos três mulheres foram violadas, assassinadas e abandonadas em circunstâncias semelhantes na região de Kičevo. As vítimas eram mulheres mais velhas, todas residentes locais. Taneski assumiu desde cedo a cobertura dos chocantes casos.

O primeiro caso conhecido remonta ao desaparecimento de Mitra Simjanoska, de 64 anos, no final de 2004. O corpo foi encontrado em Janeiro de 2005, envolto em sacos de plástico. A investigação concluiu que tinha sido torturada, violada e estrangulada. Taneski começou a acompanhar o caso na imprensa local.

Nos anos seguintes, desapareceram mais duas mulheres: Ljubica Licoska, de 56 anos, vista pela última vez em Novembro de 2007 e encontrada morta em Fevereiro de 2008, e Zivana Temelkoska, de 65 anos, desaparecida em Maio de 2008 e encontrada cerca de uma semana depois. Tal como a primeira vítima, ambas tinham sido violadas e assassinadas, antes de os corpos serem embrulhados em plástico e abandonados nas imediações de Kičevo.

Em todos estes casos, lembra o All That’s Interesting, Taneski foi um dos jornalistas que relatou os desenvolvimentos da investigação. E foi assim, de certa forma, que foi apanhado.

Os investigadores repararam que os artigos de Taneski continham pormenores que não tinham sido tornados públicos e que só o autor dos crimes ou uma testemunha ocular poderia conhecer. Além disso, o jornalista propunha textos sobre os homicídios com uma rapidez no mínimo estranha, pouco depois de surgirem novas pistas.

À medida que a polícia aprofundava a investigação sobre estas mortes e também sobre o desaparecimento de uma outra mulher, de 78 anos, em 2003, os artigos assinados por Taneski passaram a ser vistos de outra perspectiva: o jornalista estava agora sob suspeita.

Em 2008, a polícia concluiu que o ADN de Taneski correspondia ao sémen encontrado nas vítimas. Numa busca à sua casa, foram apreendidos objectos que pertenciam às mulheres assassinadas e fios telefónicos semelhantes ao que teria sido usado para estrangulá-las.

Vlado Taneski foi detido a 22 de Junho de 2008. As autoridades afirmaram ter provas suficientes para o acusar formalmente de dois dos homicídios e preparavam-se para avançar com uma acusação relativa a um terceiro caso. Pretendiam também interrogá-lo sobre a mulher desaparecida em 2003.

Mas o caso nunca chegou a julgamento. Pouco depois de ser preso, Taneski cometeu suicídio na cela: afogou-se num balde de água, segundo a investigação. Nunca chegou a confessar os crimes, mas a polícia garantiu que o jornalista foi mesmo o responsável pelas mortes.

O jornalista era descrito por amigos e família como um homem calmo, educado. A ex-mulher afirmou que tinham tido um “casamento ideal” e disse que ele era habitualmente “quieto” e “gentil”, embora reconhecesse o ressentimento profundo que nutria pela mãe.

E terá sido esse ressentimento a motivar os crimes. A mãe de Taneski trabalhava como empregada de limpeza, tal como as vítimas. Segundo a polícia, todas elas conheciam a mãe do jornalista. Sem confissão e com a morte do suspeito, o motivo exacto nunca foi, no entanto, esclarecido.

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