MINISTRA DAS PESCAS DO GOVERNO SOMBRA DA UNITA DESAFIA NARRATIVA OFICIAL E DEFENDE PESCADORES ARTESANAIS NA CHINA
Eunice Mwenze fala na qualidade de Ministra do Governo Sombra em Fórum da FAO e diz: “A realidade nas comunidades piscatórias do Namibe, Benguela, Cabinda e Zaire conta uma história diferente”.
Por: Olavo Castigo*
É com profundo sentido de responsabilidade e compromisso com o povo angolano que me dirijo a esta nação. Foi com estas palavras que a Ministra das Pescas do Governo Sombra da UNITA, *Eunice Mwenze*, iniciou esta semana o seu discurso impactante na China, num Fórum organizado pela FAO sobre segurança alimentar, sob o lema “Inovar Hoje para Alimentar Amanhã”.
Perante o Director-Geral da FAO, Dr. Qu Dongyu, e várias delegações internacionais, a governante sombra da UNITA levou a voz de milhões de angolanos excluídos dos benefícios do mar angolano.
Num discurso de resposta directa ao discurso do Presidente da República de Angola no mesmo fórum, Eunice Mwenze foi frontal:
“Ouvimos atentamente o discurso do Presidente da República de Angola, que apresentou uma visão de progresso e desenvolvimento. Contudo, permitam-me a franqueza que a democracia exige: a realidade que se vive nas províncias costeiras de Angola, nas comunidades piscatórias do Namibe, de Benguela, de Cabinda e do Zaire, conta uma história diferente”.
O RETRATO DA COSTA ANGOLANA FEITO PELA MINISTRA SOMBRA
A Ministra Sombra lembrou que Angola possui mais de 1.600 quilómetros de costa e um potencial pesqueiro estimado em mais de 700 mil toneladas anuais, mas que este potencial não chega ao povo.
Denunciou cinco pontos críticos:
1. As comunidades piscatórias artesanais continuam a viver na pobreza extrema;
2. Os pescadores tradicionais são marginalizados em favor de operadores industriais estrangeiros;
3. A fiscalização é insuficiente, permitindo a pesca ilegal que rouba recursos do povo angolano;
4. As infra-estruturas de frio, conservação e processamento são escassas;
5. O crédito e apoio técnico aos pequenos pescadores são meras promessas não cumpridas.
“A fome que o Presidente descreve como preocupação global é, em Angola, uma realidade quotidiana que poderia ser drasticamente reduzida se os recursos pesqueiros fossem geridos com transparência, justiça e visão estratégica”, afirmou.
AS 5 PROPOSTAS DO GOVERNO SOMBRA DA UNITA
Em contraste com o que chamou de “programas que não chegam”, Eunice Mwenze apresentou o plano do Governo Sombra para o sector:
Primeira – Valorização da Pesca Artesanal:
Criação de um fundo nacional de apoio à pesca artesanal, com crédito acessível e formação. “Não podemos continuar a tratar os pescadores como cidadãos de segunda classe”.
Segunda – Combate Firme à Pesca Ilegal:
Reforço da fiscalização marítima e investimento em tecnologia de monitorização. “Angola perde anualmente milhões de dólares. Os recursos naturais pertencem ao povo angolano”.
Terceira – Desenvolvimento da Aquicultura Sustentável:
Criação de centros de incubação em todas as províncias com potencial, gerando emprego para jovens.
Quarta – Infra-estruturas de Cadeia de Valor:
Fim da perda de pescado por falta de cadeia de frio. “É inaceitável que Angola continue a importar peixe congelado enquanto as nossas comunidades não têm condições para conservar o produto da sua faina”.
Quinta – Formação e Capacitação:
Revitalização das escolas técnicas de pescas e parcerias com universidades.
O AVISO SOBRE O CORREDOR DO LOBITO
Sobre o Corredor do Lobito, defendido pelo Presidente João Lourenço como plataforma de oportunidades, a Ministra Sombra concordou com a integração regional, mas deixou um aviso:
“Nenhum corredor logístico, nenhuma zona de livre comércio fará sentido se não beneficiar primeiro as populações locais. O Corredor do Lobito deve ser também um corredor azul, que valorize os recursos pesqueiros, que crie empregos para as comunidades costeiras e que garanta que os benefícios da economia cheguem a quem vive do mar”.
O discurso de Eunice Mwenze na China Women’s University está a ser amplamente partilhado nas redes sociais como um dos mais corajosos e tecnicamente fundamentados já feitos por um membro do Governo Sombra da UNITA no exterior.
É a prova de que a UNITA tem quadros preparados para governar Angola com visão alternativa, patriótica e virada para o povo da cidade e do campo.
*Docente, Jornalista e Investigador Social




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